Ibovespa despenca 2,50% e perde os 168 mil pontos com crise em Ormuz; dólar
sobe quase 1%
O mercado brasileiro encerrou esta terça-feira (11) sob forte pressão. O
Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.874,64 pontos, em um pregão marcado pela
deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio. A confirmação de que o
Estreito de Ormuz permanecerá fechado elevou os temores sobre o fornecimento
global de petróleo e aumentou a aversão ao risco.
O dólar comercial avançou 0,98%, enquanto o petróleo voltou a subir, refletindo
a preocupação com uma interrupção prolongada das rotas de energia.
Contexto
O mercado começou o dia já pressionado por uma combinação de inflação doméstica
acima das expectativas e uma ata do Copom que reforçou a preocupação com riscos
inflacionários. Ao longo do pregão, porém, o agravamento das tensões em torno do
Estreito de Ormuz passou a dominar as decisões dos investidores.
O número do dia
-2,50%, foi a queda do Ibovespa nesta terça-feira. O índice encerrou aos
167.874,64 pontos, acumulando agora perda de 5,69% em agosto.
Resumo do pregão
O Ibovespa encerrou a sessão em forte queda de 2,50%, aos 167.874,64 pontos.
O índice chegou a registrar pequena alta de 0,12%, aos 172.386 pontos, mas
perdeu força rapidamente. Na mínima do dia, atingiu 167.569 pontos, queda de
2,68%.
O volume financeiro informado foi de R$ 0,99 bilhão.
Com o resultado, o Ibovespa passa a acumular alta de apenas 4,19% em 2026,
enquanto a perda acumulada em agosto chega a 5,69%.
O Ibovespa Futuro recuou 2,43%, aos 168.015 pontos, oscilando entre máxima de
172.505 e mínima de 167.575 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 0,98%, encerrando cotado a R$
5,1603 na compra e R$ 5,1608 na venda.
O dólar paralelo subiu 0,71%, para R$ 5,27 na compra e R$ 5,37 na venda.
Petróleo volta a subir
O petróleo encerrou o dia em alta, pressionado pela incerteza sobre o fluxo de
energia no Oriente Médio.
O Brent, referência internacional, avançou 1,36%, fechando a US$ 88,91 por
barril.
O WTI, referência norte-americana, subiu 1,30%, para US$ 83,20 por barril.
A alta ocorreu apesar das tentativas diplomáticas de encontrar uma solução para
a crise.
Estreito de Ormuz permanece no centro das atenções
O principal fator de pressão sobre os mercados foi a informação de que o Irã
pretende manter fechado o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais
de transporte de petróleo.
Dados de navegação reforçaram a dimensão do problema. O fluxo pela região teria
caído para apenas seis embarcações na segunda-feira, diante de uma média
histórica anterior à guerra estimada entre 125 e 140 navios por dia.
A redução do tráfego alimenta o temor de que uma interrupção temporária possa
transformar-se em um problema prolongado de oferta.
Diplomacia perde força
As negociações intermediadas por Omã e Catar também atravessam um momento
delicado.
O otimismo diminuiu após a troca de exigências entre Washington e Teerã,
incluindo discussões relacionadas a reparações de guerra.
Com isso, os investidores passaram a atribuir menor probabilidade a uma solução
rápida para o impasse.
Mar Vermelho acrescenta pressão
O cenário regional também se agravou após um ataque atribuído aos houthis do
Iêmen contra um navio saudita transportando equipamentos militares na região de
Bab el-Mandeb.
A ocorrência amplia os riscos para outra rota estratégica de transporte marítimo
e aumenta a preocupação com possíveis interrupções no fornecimento de energia.
Radar do mercado
O mercado deverá permanecer particularmente sensível às notícias envolvendo o
Estreito de Ormuz e as negociações entre Estados Unidos e Irã.
A permanência do bloqueio, associada à redução drástica do tráfego marítimo,
mantém elevada a possibilidade de novas oscilações no petróleo. Uma alta
persistente da commodity poderá, por sua vez, pressionar as expectativas de
inflação e dificultar o processo de flexibilização monetária em diversas
economias.
Análise
- Fator dominante: crise no Estreito de Ormuz.
- Fator secundário: inflação e política monetária.
- Impacto observado: forte queda da Bolsa, alta do dólar e petróleo
novamente pressionado.
O pregão desta terça-feira representa uma mudança importante em relação aos
últimos dias. O mercado deixou de trabalhar apenas com a possibilidade de uma
crise geopolítica e passou a precificar o risco de uma interrupção efetiva e
prolongada do fluxo de petróleo.
A diferença é significativa.
Enquanto havia expectativa de uma reabertura relativamente rápida do Estreito de
Ormuz, o petróleo podia devolver parte dos ganhos à medida que surgissem
notícias sobre negociações. Agora, com o Irã afirmando que a rota permanecerá
fechada e o tráfego marítimo praticamente paralisado, o mercado passa a
considerar um cenário de maior duração.
Esse movimento também explica a reação da Bolsa. A alta do petróleo não afeta
apenas empresas ligadas à energia: ela pode contaminar inflação, juros,
atividade econômica e expectativas de crescimento. É justamente essa
possibilidade de efeitos em cadeia que aumenta a aversão ao risco.
O dado mais preocupante para o mercado brasileiro é que o Ibovespa encerrou o
dia 4,19% acima do nível de fechamento de 2025, mas já acumula uma perda de
5,69% somente em agosto. Em outras palavras, uma parcela relevante dos ganhos
obtidos ao longo do ano começa a ser devolvida em poucos pregões.
A partir de agora, Ormuz passa a ser uma variável tão importante quanto os
indicadores econômicos. Enquanto não houver sinais concretos de reabertura da
rota, qualquer notícia sobre negociações, ataques ou movimentação de navios
poderá provocar fortes oscilações nos preços do petróleo, no câmbio e nas
bolsas.