Fechamento do mercado financeiro
O mercado brasileiro encerrou a semana em forte baixa. O Ibovespa recuou 1,73% nesta sexta-feira (7), aos 172.513,42 pontos, pressionado por um ambiente externo mais cauteloso, pela reavaliação das perspectivas para os juros globais e pela permanência das incertezas geopolíticas no Oriente Médio.
O dólar comercial, porém, caiu 0,46%, enquanto o petróleo voltou a subir no fechamento, mas acumulou perdas expressivas ao longo da semana.
Contexto
O pregão marcou uma deterioração significativa do humor dos investidores. O Ibovespa chegou a operar em alta de 0,32% no início da sessão, mas perdeu força ao longo do dia e atingiu mínima de 172.131 pontos. A piora ocorreu em um ambiente internacional de maior aversão ao risco, após dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos provocarem nova revisão das apostas sobre a trajetória dos juros.
O número do dia
-5,02%, foi a queda acumulada pelo petróleo Brent na semana. O WTI recuou ainda mais: 7,67% no período, apesar da alta registrada nesta sexta-feira.
Resumo do pregão
O Ibovespa encerrou a sessão com queda de 1,73%, aos 172.513,42 pontos.
O índice chegou a subir 0,32%, atingindo máxima de 176.117 pontos, mas passou a perder força durante o pregão e chegou à mínima de 172.131 pontos, queda de 1,95%.
O volume financeiro informado foi de R$ 0,92 bilhão. (O valor permanece muito abaixo da média habitual de negociação da B3 e pode representar dado parcial ou sujeito a atualização.)
Com o resultado, o Ibovespa encerra a semana com forte deterioração dos indicadores acumulados: a valorização em 2026 caiu para 7,07%, enquanto agosto passou a acumular queda de 3,08%.
O Ibovespa Futuro acompanhou o movimento, recuando 1,88%, aos 172.475 pontos, após oscilar entre 176.790 e 172.285 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar comercial recuou 0,46%, encerrando cotado a R$ 5,0826 na compra e R$ 5,0836 na venda.
O dólar paralelo também caiu, com baixa de 1,51%, negociado a R$ 5,17 na compra e R$ 5,27 na venda.
Petróleo sobe no dia, mas encerra semana em forte queda
Os contratos futuros de petróleo fecharam a sexta-feira em alta, mas não conseguiram compensar as perdas acumuladas ao longo da semana.
O Brent, referência internacional, avançou 1,29%, encerrando a US$ 83,55 por barril.
O WTI, referência norte-americana, subiu 1,15%, fechando a US$ 78,18 por barril.
Apesar da valorização diária, o balanço semanal foi negativo:
- Brent: -5,02%;
- WTI: -7,67%.
O principal fator de sustentação das cotações nesta sexta-feira foi novamente
a situação do Estreito de Ormuz.
O mercado continua sem perspectiva clara de um acordo sustentável para a
normalização da navegação na região. Segundo as informações acompanhadas pelos
investidores, o Irã mantém planos de estabelecer taxas sobre cargas, estimadas
entre 5% e 7%, além de restringir a passagem de navios de Israel e dos Estados
Unidos.
A possibilidade de novas restrições mantém elevado o risco de interrupção do
fluxo de petróleo, mesmo em um cenário de preços pressionados pela perspectiva
de menor demanda.
Mercado de trabalho dos EUA entra no radar
Outro elemento importante do pregão foi a divulgação de dados mais fracos do
mercado de trabalho norte-americano.
Os números do payroll provocaram volatilidade nos mercados e levaram os
investidores a revisar suas apostas para a trajetória dos juros nos Estados
Unidos e, por consequência, para a política monetária global.
O movimento adicionou incerteza ao mercado justamente em um momento em que os
investidores brasileiros ainda assimilam a decisão do Copom de reduzir a Selic
para 14% ao ano.
Estoques de petróleo seguem como fator de preocupação
Apesar da queda semanal dos preços, especialistas chamam atenção para a situação
dos estoques globais de petróleo, apontados como próximos dos menores níveis da
última década.
Isso reduz a capacidade de absorção de eventuais choques de oferta e mantém o
mercado particularmente sensível a novas interrupções no transporte da commodity.
Radar do mercado
A próxima semana deverá começar sob influência de três grandes fatores: os
desdobramentos das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, a reação dos
mercados aos dados de emprego dos Estados Unidos e os efeitos da nova taxa Selic
sobre as expectativas domésticas. A evolução do petróleo também continuará sendo
importante para o câmbio, para as bolsas e para as projeções de inflação.
Análise
- Fator dominante: Aversão ao risco.
- Fator secundário: Reprecificação dos juros globais.
- Impacto observado: forte queda da Bolsa, recuo do dólar e recuperação diária do petróleo, insuficiente para evitar a perda semanal.
O fechamento desta sexta-feira deixa uma fotografia bastante diferente
daquela observada no início da semana. O mercado começou os últimos dias
tentando absorver um ambiente geopolítico mais tranquilo e terminou a semana
novamente diante de uma combinação de incertezas.
Na Bolsa brasileira, a queda de hoje praticamente anulou a tentativa de
recuperação observada nos primeiros pregões do mês. O movimento demonstra que o
investidor está mais seletivo e menos disposto a assumir riscos diante da
combinação entre incerteza externa, política monetária ainda restritiva e novas
dúvidas sobre a economia global.
No petróleo, o contraste é interessante: a commodity subiu nesta sexta-feira,
mas terminou a semana em forte queda. Isso mostra que o mercado continua
dividido entre dois vetores. De um lado, o risco de interrupção do abastecimento
provocado pelo impasse em Ormuz; de outro, a percepção de que o ambiente
econômico global pode reduzir a demanda pela commodity.
O dado mais importante para a próxima semana talvez seja justamente essa mudança
de equilíbrio. Se as tensões no Oriente Médio aumentarem, o petróleo poderá
voltar a pressionar a inflação; se prevalecerem os sinais de desaceleração
econômica, a preocupação poderá migrar para a demanda e para os juros. É essa
disputa entre inflação, crescimento e risco geopolítico que deverá continuar
ditando o humor dos mercados.